Chuta essa que é macumba!
17/05/2009
Às vezes, a gente precisa perdoar para partir livre. Sem pesos e amarras tenta-se experiências novas. Instigantes? Diferentes! Outras vezes, a gente perdoa para poder ficar. Também livre, sem amarras, leve. Naquele eterno exercício de dar em vez de receber.
Sabe que ultimamente tenho escutado Krishna Das. Significa algo próximo a Servo do Amor. Isso acontece geralmente quando estou em depressão. Parece ser a única coisa que me tira desse estado. A última vez que fiz isso foi quando desfiz um casamento de nove anos com a Simone. Ouvia Krishna Das e chorava, foi a única forma de superar, naquele instante, a culpa inevitável. Não tenho mais culpa. Hoje ela está bem, voltou a trabalhar e, ao que tudo indica, feliz! Também não pago mais pensão. O que é um alívio. Tudo bem quando acaba bem. Ainda mais quando ficamos amigos sinceros, sinal de que esse karma foi transformado em darma.
E sabe que nunca tive problema em ser fiel. Desde que a regra fosse igual para ambos. Gosto de justiça e sou cartesiano no seu cumprimento. Pesos e medidas igualitárias para ambos. Viva a democracia do amor! Mas veja bem, todo mundo tem o direito ou liberdade de dar uma escapudela, escorregão, tropeço, aventura… tentativa sincera. Todo mundo tem! Eu tive. Como também tem a liberdade ou direito de se apaixonar novamente. Eu tenho. O melhor disso é não ter que dar explicações para ninguém sem racionalizar algo para nada. O conselho é: quem tiver condições e coragem de viver isso que viva.
Assim como o tal do livre-arbítrio também permite que as pessoas vivam sempre de galho em galho. De tentativa em tentativa. Parece ser um estilo cool isso, né? E realmente não vejo problema quando esse life style leva a pessoa, em algum momento de sua vida, a olhar para dentro de si. Descobrir o que realmente importa para si, para as pessoas que estão a sua volta e a perceber o quanto são transitórias as cenas capturadas em nossa retina. Registro indelével. Tudo passa e se não passou é porque ainda não se cumpriu. Ainda vive em vias de ser. Ou porque é ilusão e o que a gente gosta mesmo, é viver iludido.
Cada passo que dei, consciente ou inconsciente, cada joelho sob a terra, cada sorriso, a brisa no rosto, o trago, o afago, o cheiro, o beijo, o sono mal dormido, a primavera incompleta. O queijo mofado, o morango azedinho, a fumaça, a saliva, a sopa e a mosca. O arrependimento, a alegria, alegria, alegria de viver, de se deixar morrer um pouco a cada instante, a cada gozo, de não gozar mas ser gozado, de mergulhar, de correr ao mato, ficar nú, de rir e sentir dor no peito… são fragmentos que guardo em oração em algum lugar dentro de mim. Estão lá, cenas transitórias de alguma paz e alegria. Lembranças que escorregam de mim já no segundo copo de vinho.
Saudades de tudo isso? Claro que sim! Quero viver com fúria e inocência ao lado dessa menina. Quero me apaixonar novamente por mim. Descobrir tudo de novo, com a mesma terna e sincera Caia. Não duvide disso. A vida evolui e a cada esquina é hora de mudar. Chuta essa que é macumba!
“Eu vou seguir por essa estrada
Nessa casa chegarei
Essa é a casa da verdade
Que neste mundo, que neste mundo,
que neste mundo eu encontrei”
22/05/2009 at 3:15
E viva a democracia do amor! “A vida evolui e a cada esquina é hora de mudar. Chuta essa que é macumba!” Essa frase deveria ser lema para todo mundo… Belíssimo texto e mais um viva pela coragem!